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ANALFABETISMO HOJE

17 jun 2013

Maria Luiza Marcilio – Presidente do Instituto Jacques Maritain
“O SÃO PAULO”, ano 58  de 11 a 17  de junho de 2013 (semanário da Arquidiocese de São Paulo)

Com a prática que se generalizou ao longo do século XX da realização de recenseamentos das populações nacionais, tomou-se conhecimento, pela primeira vez, da magnitude do analfabetismo no mundo. Soube-se, então, que os países mais avançados da Europa e da America do Norte, no inicio dos anos de 1900, já haviam combatido eficazmente esse grave problema: suas populações estavam quase inteiramente alfabetizadas. Em situação inversa, as vastas regiões da Ásia, da África e da America Latina começavam o século com índices de analfabetismo que subiam aos 80 e mesmo 90% de suas populações, com muito raras exceções. A partir dessa conscientização, começava um processo cada vez mais amplo de educação do povo.

Depois da Segunda Guerra Mundial foram criadas  a ONU e a UNESCO, organismos supranacionais para auxiliarem na promoção da Paz, da Justiça Social, dos Direitos Humanos e da Solidariedade entre seus Estados membros. Uma de suas batalhas prioritárias para atingir esses ideais foi o programa da “Educação para Todos’.

A luta não foi vencida. A UNESCO publicou em seu Relatório atual que há ainda cerca de 20% da população, ou seja, 875 milhões de analfabetos no mundo todo. Os países em que ainda mais de 50% da população são analfabetos encontram-se na África central e no Sudeste asiático. O Brasil começava o século passado com índices que subiam a 80% ou mais. Desde então, iniciou-se em nosso país, um lento combate a essas vergonhosas taxas. Varias medidas foram sendo tomadas: construção das primeiras escolas públicas, os Grupos Escolares; formação de professores com renovadas Escolas Normais; modernização dos métodos de alfabetização.

Apesar dos avanços, os indicadores do IBGE, mostram que existem hoje cerca de 15 milhões de adultos, acima da idade escolar, que não sabem ler nem escrever. O maior índice, 18,4%, está no Nordeste e o menor, 7%, está no Sul.

O grave problema do analfabetismo  continua sendo um dos grandes temas prioritários a solucionar. A educação é uma ferramenta extremamente útil para combater a pobreza e a desigualdade, elevar os níveis de saúde e bem estar social, criar as bases para um desenvolvimento econômico sustentável, universalizar a justiça social e a manutenção de uma democracia duradoura.

 

Maria Luiza Marcilio é professora titular da USP,ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP e presidente do Instituto Jacques Maritain do Brasil.